Siegbert Franklin deixa as artes Cearense em Luto

O artista plástico cearense Siegbert Franklin morreu no sábado passado, em Ribeirão Preto (SP), em decorrência de uma lesão cerebral provocada por um AVC

 

As artes cearense estão de luto. No último sábado, 23, na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, morreu, aos 54 anos, o artista visual Siegbert Franklin. Ele estava internado há mais de um mês no Hospital das Clínicas da cidade paulista, em virtude de uma série de lesões cerebrais resultantes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Filho de Fortaleza, Siegbert foi um dos grandes nomes da pintura no Ceará, com produção reconhecida nacionalmente a partir dos anos 80. Período em que passou a desenvolver carreira em São Paulo, mas sem cortar os laços com suas origens.

Nos últimos anos, o artista se dedicou à descoberta de novos talentos do Estado e sua difusão mundo afora, por meio do projeto Ponte Cultura, associação internacional sem fins lucrativos de intercâmbio cultural entre Alemanha e Brasil, idealizado pela artista alemã Marianne Stüeve. Siegbert era o seu representante no País.

Siegbert Franklin também se dedicou à música. Ele participou da Massafeira Livre, em 1979. Abaixo um dos desenhos feitos por ele, do acervo de Ana Cristina Mendes

Siegbert Franklin também se dedicou à música. Ele participou da Massafeira Livre, em 1979. Abaixo um dos desenhos feitos por ele, do acervo de Ana Cristina Mendes

 

 

Carreira

            O artista começou a atuar cedo no mundo das artes visuais. Sua primeira exposição profissional, ocorreu em 1975, no Salão do Crato. Três anos depois da estreia, ganhou uma grande individual na galeria Antonio Bandeira. Seu estilo próprio de pintar, com fortes tendências conceituais, despertou o interesse de críticos brasileiros importantes, como Frederico de Moraes e Walmir Ayala.

Na época, sob a supervisão do também artista visual Bené Fonteles, Siegbert Franklin passou a produzir desenhos e colagens com forte influência nos quadrinhos e na vertente da arte alemã do realismo crítico. Mais uma de suas varias facetas. Franklin conquistou, ao longo de sua carreira, importantes prêmios em salões nacionais (Salão Pernambucano de Arte; Salão do Paraná; Mostra do Desenho Brasileiro em Curitiba; Salão Nacional do Ceará e Salão de Abril; Unifor Plástica; Porto Seguro de Fotografia, entre outros). Também participou de inúmeras exposições coletivas e individuais no Ceará e fora dele.

Além de pinturas e desenhos, ele desenvolveu trabalhos em vídeo, instalações e gravura-litografia. De acordo com o curador Roberto Galvão, as pinturas de Siegbert Franklin, dos últimos quinze anos, têm uma profunda unidade técnica e temática. Apesar de, na superfície, seus quadros oscilarem entre a figuração e o abstracionismo. “Nesse jogo de sonhos, Siegbert se reporta e nos transporta ao passado e, ao mesmo tempo, ao futuro. Através da arte, ele destrói a ilusão do tempo e escapa da linearidade da história”, diz.

O Ceará perde um grande artista, que nos deixa de regalo uma produção rica e diversa, caracterizada, sobretudo, pela experimentação e as tentativas de apreender o indomável, o desconhecido, o acidental.

 

TEXTO de ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

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