No Rio, um leilão que reúne raridades de família tradicional

Pela primeira vez, uma tradicional família carioca manda a leilão uma série de objetos raros e obras de arte que ajudam a resgatar uma parte da história do Brasil. São cerca de 400 peças que pertenceram a Astrid Monteiro de Carvalho, morta em 2010, e que serão negociadas até amanhã no Atlântica Business Center, em Copacabana, na zona sul do Rio.

O grande destaque do leilão é uma coleção de porcelana chinesa da Companhia das Índias que pertenceu à família real portuguesa. Vendida em pequenos lotes, a coleção de Astrid tem mais de 50 peças, cujos lances mínimos, somados, ultrapassam R$ 170 mil. “São peças relativamente baratas se considerarmos sua importância histórica”, avalia a marchand Soraia Cals.

Esses pratos, sopeiras e travessas fazem parte de um conjunto conhecido como Serviço dos Pavões, que contém o brasão de um casal da ave em suas louças e foi trazido de Portugal aos milhares quando a família real aportou no Brasil, em 1808. As louças eram servidas nos grandes banquetes oficiais oferecidos por d. João VI. Após a Proclamação da República, em 1889, esses conjuntos foram dispersos e se tornaram uma raridade. Algumas peças só são vistas em museus, tal como a terrina em exposição no Museu Histórico Nacional, no Rio.

Colônia. Há também peças valiosas que remontam ao período colonial brasileiro, tais como o pórtico de colunas salomônicas feito de madeira esculpida em estilo barroco, e o crucifixo feito de marfim e jacarandá. Doze imagens sacras de Astrid, católica devota, também vão a leilão. Há, ainda, diversos artigos de prata e de cristal, tapetes, móveis, esculturas e quadros.

As duas principais telas serão leiloadas hoje à noite: o quadro Mulata, de Di Cavalcanti, cujo lance inicial será de R$ 350 mil, e Terraço Avarandado, do modernista pernambucano Cícero Dias, a R$ 125 mil.

As peças à venda demonstram um estilo bastante eclético. “Ela não era nenhuma colecionadora em particular, não seguia nenhuma linha artística”, afirma o filho mais velho de Astrid, Sérgio Francisco. “Nessa coleção estão objetos de uma vida inteira.” Grande parte do acervo de Astrid foi herdada do pai, o empresário Joaquim Monteiro de Carvalho, responsável pela chegada da Volkswagen ao Brasil.

Elite. O clã Monteiro de Carvalho é parte indissociável da elite carioca e da história da cidade. Dona do Grupo Monteiro Aranha, a família tem empresas atuando na área de papel e celulose, petróleo e incorporação imobiliária. A irmã de Astrid, Lilibeth, foi a primeira mulher do ex-presidente Fernando Collor.

Fonte: O Estadão

Posts Relacionados:

Com as tags: , , , , , , , |

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *