David Hockney no Guggenheim de Bilbao

Copyright David Hockney David Hockney, Winter Tunnel with Snow, March, 2006, Oil on canvas 91.4 x 121.9 cm. Courtesy of the artist , Copyright: David Hockney ; Photo credit: Richard Schmidt . Exhibition organised by the Royal Academy of Arts, London in collaboration with the Guggenheim Museum, Bilbao and the Museum Ludwig, Cologne

Copyright David Hockney
David Hockney, Winter Tunnel with Snow, March, 2006, Oil on canvas 91.4 x 121.9 cm. Courtesy of the artist , Copyright: David Hockney ; Photo credit: Richard Schmidt . Exhibition organised by the Royal Academy of Arts, London in collaboration with the Guggenheim Museum, Bilbao and the Museum Ludwig, Cologne

Masters, David Hockney argumenta que desde o princípio do século quinze muitos artistas ocidentais usam a óptica – espelhos e lentes ou uma combinação dos dois – para criar projecções vividas.

As quatro grandes pinturas que ocupam as paredes da sala octogonal no topo das monumentais escadarias da Royal Academy of Arts, em Londres, introduzem e marcam os diferentes temas de A Bigger Picture [Um Quadro Maior], por David Hockney (1937), enquanto estabelecem a paisagem de Yorkshire, no Norte de Inglaterra, como o principal sujeito da exposição.
Seja através de amarelos, limas e castanhos, na Primavera (Spring, 2008), ou castanhos, rosas e verdes escuros, no Outono (Autumn, 2008), a série Three Trees near Thixendale [Três Árvores Próximo de Thixendale] – o conjunto é completo com mais dois óleos sobre oito telas: Summer [Verão] e Winter [Inverno] pintadas em 2007 -ilustra a vivacidade de Hockney em termos da qualidade da luz e da densidade da folhagem, ao pintar as alterações sazonais na paisagem.

David Hockney é frequentemente associado à cena artística de Los Angeles (EUA), onde viveu durante as décadas de oitenta e noventa. A Bigger Splash (1967) marcou a contribuição de Hockney no movimento Pop durante a década de sessenta, enquanto Pearblossom Highway (11th – 18th April 1986 #1) influenciou de forma singular o acto fotográfico ao fragmentar a realidade, e, posteriormente, ao compor imagens com montagem de fotografias coladas. Contudo, a exposição, na Royal Academy of Arts, para alem das paisagens e panoramas realizadas na California, durante as décadas de sessenta e oitenta (Sala 2) reúne também uma primeira abordagem a paisagem de Yorkshire. Trabalhos realizados de memoria após uma visita a esta região de Inglaterra, durante os anos noventa (Sala 3). Depois é um crescendo de intensidades técnica, que culmina com as majestosas vistas de Yosemite Valley, na California. A atenção do artista para com Yorkshire traz à memória alguns notáveis paralelos: o registo da região Este da Inglaterra por John Constable (1776-1837), a lezíria ribatejana por Silva Porto (1850-1893) ou o trabalho de Monet (1840-1926) resultante da sua estadia em Giverny (França).

O espaço (Sala 4) está completamente forrado por óleos e aguarelas de tamanho médio. Mais parece que estamos completamente rodeados por uma sala inundada de plasmas a mostrar o que as câmaras de vigilância HD captam do espaço rural: ruas em vilas com carros estacionados; estradas que ligam estas vilas ladeadas por cercas e arbustos; caminhos por entre os campos com a sua riqueza de flores e árvores; céus enublados a indicar a aproximação de chuva, etc. Um tempo na paisagem de Yorkshire captado por David Hockney com cores vivas, brilhantes, no óleos, ou a subtileza da diluição das cores umas nas outras, nas aguarelas.
O que começou como uma simples casualidade, de repente torna–e num marcante comentário sobre a natureza da arte e da percepção, mas, em especial, investigações sobre o espaço pictural e sobre o movimento natural da luz e das condições duma paisagem  – céu e a vegetação. Wooldgate Woods (sete óleos, sobre seis telas cada), realizados durante 2006, traz-nos uma outra forma de encarar o espaço por parte de Hockney. Durante dias diferentes o artista capta do mesmo ponto com o mesmo enquadramento a paisagem á sua frente: trilho transformam-se em mantos de vermelho, castanhos e ocre; o nevoeiro da manha é substituído pelas sombras arrastadas, no final do dia.

A grande maioria das obras, produzidas entre 2004 e 2011, foram concebidas a partir da observação, da memória e da imaginação do artista, com o recurso a ajudas visuais e tecnológicas. Linhas de cercas, estradas rurais, marcas de herdades e moitas em floresta marcam todo o corpo de trabalho de The Arrival of Spring in Woldgate, East Yorkshire in 2011 (twenty-eleven). A mutabilidade da natureza é captada num trabalho composto por 52 partes. Esta vasta série consiste em 51 desenhos em iPadHockney usa o software Brushes – impressos sobre papel e uma pintura a óleo com 15 metros, formada por 32 telas, e preenche por completo a intimidante Gallery III da Royal Academy of Arts. Estas imagens representam o clímax de Hockney no domínio de um instrumento para trabalho visual.

A relação de Hockney com as câmaras tem existido durante toda a sua carreira, ligação a que apelidou de “idade do pós-fotografia” onde a manipulação digital permite aumentar exponencialmente as possibilidades da forma, mas em contrapartida deteriora a sua capacidade para a veracidade. A procura de modos para representar a paisagem sempre em mutação com uma maior claridade levou Hockney a procurar novos instrumentos. Séries e séries de trabalhos numa multiplicidade de meios, como desenhos em iPhone e iPad, e filmes com nove câmaras HD. O resultado são filmes sumptuosamente detalhados, colagens cubistas em movimento, uma multiplicidade de espaço.

David Hockney começou a utilizar a câmara de vídeo digital em 2008. Em 2010, começou a utilizar nove câmaras montadas num 4 x 4, e cada uma direccionada para pontos ligeiramente diferentes. O espaço pictural expandido oferecido pela grelha de nove imagens (na sala onde são apresentados os filmes foi construído um painel com dezoito ecrãs emparelhados), representa um frame de tempo diferente, um acto em separado de intenso olhar sobre a paisagem. Esta nova abordagem técnica apresenta ecos em trabalhos anteriores, em particular em Grand Canyon With Ledge, Arizona Oct. 1982. Collage #2, made May 1986 (fotocolagem), Grand Canyon Looking North, Sept. 1982 (fotocolagem) ou Pearblossom Highway.

Os resultados do uso de novas tecnologias digitais ao serviço da arte e do artista são extraordinários. Dedos, pincéis, câmaras escuras, máquinas fotográficas e de filmar, iPhone ou iPad são bons instrumentos de trabalho, desde que usados de uma forma inovadora, criativa e singular pelo artista. Com um iPad ele pode cumprir com o prazo de tempo permitido pela natureza.

David Hockney, A Bigger Picture encontra-se patente na Royal Academy of Arts entre 21 de Janeiro e 9 de Abril de 2012. A exposição segue posteriormente para o Guggenheim Bilbao (Espanha) e depois para o Museum Ludwig, Colónia (Alemanha).

Fonte: RTP

 

Posts Relacionados:

Com as tags: , , , , , , , , |

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *