Artista chinesa acusa escola de arte de Paris de censura

Hu Jintao deve ter soltado um daqueles sorrisos discretos, que tanto associamos aos orientais.
Afinal, é irônico, triste mas irônico, que um artista chinês tenha sido censurado fora de seu país. Mais precisamente, na França.


Siu Lan Ko pendurou quatro faixas pretas na fachada da Escola de Belas-Artes, em Paris. De branco, cada uma trazia uma palavra: Trabalhar, Ganhar, Mais, Menos. Horas depois de serem erguidas, as faixas foram retiradas.
As palavras são uma referência direta ao slogan de campanha do atual presidente francês, Nicholas Sarkozy: “Trabalhar mais para ganhar mais”.
O artista afirmou que buscou falar “ao mesmo tempo, da questão do trabalho e da propaganda, em um sentido universal”. Siu Lan Ko se disse chocado com o fato, sobretudo num país de tradição libertária. “Isso mostra o quanto a França de Sarkozy tornou-se conservadora”.
A artista mencionou ainda o fato de a censura vir de dentro da mais antiga escola de belas-artes francesa, lugar de onde ela esperava que viessem os maiores estímulos à liberdade de expressão. “Não há nem mesmo espaço para discussão, tudo foi feito nas minhas costas”, afirmou.

Segundo informações da revista francesa Les Inrockuptibles, a direção da escola considerou a obra ofensiva. O período atual de negociações de verbas com ministérios franceses tornaria tudo mais sensível, acrescentou um membro da direção.
Para Siu Lan Ko, não há desculpas. “Foi censura política”, afirmou.
A oposição socialista frequentemente zomba do slogan, já que o desemprego vem aumentando. Em nota, a Ensba disse que a obra “poderia constituir um ataque à neutralidade do serviço público.”
A artista Siu-lan Ko qualificou o fato como “abominável.” “Na China, falamos muito sobre censura, mas meu trabalho nunca foi censurado de modo tão brutal na China.”
O Ministério da Cultura francês não quis comentar o caso.

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