Alpharrabio completa 21 anos de combate cultural

Espaço cultural em Santo André é livraria, museu, mostruário e depositário da história cultural do ABCD

Espaço-cultural-em-Santo-Andre

Livraria Alpharrabio é coordenada pela escritora e agitadora dalila teles veras; além do acervo vendável de sete mil obras, espaço é ‘bunker’ de resistência cultural. Foto: Andris Bovo

A Alpharrabio não é apenas uma livraria com acervo vendável de sete mil obras. Além de ser praticamente um bunker de resistência cultural, ao longo dos 21 anos que completa na quinta-feira (21/02), o espaço tornou-se um depositário de relíquias artísticas de todo o ABCD que celebrará a data com a exposição Processos Intermináveis, do artista plástico Guilherme Augusto (Gafi), e com uma programação durante todo o mês de março com foco na literatura.

Coordenada pela escritora e agitadora cultural, Dalila Teles Veras, a Alpharrabio se consolidou como área de discussão e diálogo de artistas, a princípio de escritores. Entretanto, com o passar dos anos, o lugar virou uma espécie de mostruário de pintores, gravuristas e escultores regionais e vindos de outras partes do estado ou do País.

Caminhar pelo espaço é ter a chance de conferir a cartografia da cultura do ABCD, uma vez que concentra peças do escultor argentino Ricardo Amadasi e gravuras do italiano Pierino Massenzi, sem mencionar a presença constante do pintor Guedo Gallet, que transformou a livraria em um ateliê vivo. Ninguém tem a obrigação de conhecer tais nomes. Entretanto, foram e são pessoas que viveram na Região e registraram expressões e sensações da mesma.

“Acredito no registro”, disse Dalila ao mencionar que o local possui depoimentos, imagens, álbuns e livros que contam a história do ABCD. “Ultrapassamos o conceito de livraria. Ela é só a cereja do bolo para o tanto de atividades que realizamos”, analisou a leitora contumaz que já promoveu mais de uma centena de mostras e ocupações com expoentes da arte como Luiz Sacilotto e João Suzuki. Tudo sem financiamento público.

“A Alpharrabio é um projeto pessoal. Faço isso porque a Região carece de arquivos e gostaria que alguma instituição pública se apropriasse e curasse acervos e documentações de artistas locais.” Assim como Dalila, a livraria é alvo de muitas pessoas que lidam com o conjunto de livros de artistas falecidos, como é o caso do fundador da Fundação das Artes, Milton Andrade, cuja família doou o acervo após o óbito do ator e professor. O mesmo ocorreu com os acervos particulares de Wagner Calmão e João Suzuki.

“É um drama que vivencio. Portanto, pressiono órgãos públicos para colaborarem”, revelou a escritora que também coordena a Editora Alpharrabio, responsável por mais de 110 publicações de autores locais. Não é à toa que a livraria acumula demandas culturais e se propõe a dar visibilidade para os diversos tipos de arte.

Para Dalila, faltam espaços públicos para discussões e exibições. Desde 1996, fruto de coleção privada, é possível consultar o ABC’s Núcleo Alpharrabio de Referência e Memória, atualmente composto por cerca de mil livros (de ou sobre escritores regionais), documentos e catálogos de manifestações culturais. Consulte a programação pelo site: www.alpharrabio.com.br.

Processos intermináveis, o caminho até o resultado final

A mostra de pintura e objetos de Guilherme Augusto, o Gafi, pretende ilustrar os infinitos processos de sua criação artística. Azulejos, retalhos de tela e outros suportes não convencionais mostram o percurso percorrido pelo artista até chegar ao resultado final, aquele que vemos nas exposições. “Quero apresentar o meu processo, que considero interminável pois nunca fecho um esboço, um trabalho vai se ligando a outro em camadas e não tem fim. Eu nunca termino, tenho uma necessidade de produzir, pintar”, disse Gafi, que nesta exposição valoriza a arte abstrata.

Para o artista plástico, participar das comemorações de mais um ano de existência de um símbolo de resistência cultural da Região, como a Alpharrabio, é honroso. “Quis muito fazer essa exposição no ABCD, pois estudei na Região. Minhas principais referências são daqui, quero trazer esse trabalho para os amigos daqui. Não seria justo que acontecesse em outro lugar.”

Esta é a segunda exposição individual do artista andreense na cidade. A primeira foi realizada em 2010 no Museu de Santo André.

Fonte: ABCD Maior

Posts Relacionados:

Com as tags: , , , , , , |

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *