Adeus a Siegbert Franklin

Morreu sábado passado em Ribeirão Preto (SP) o artista plástico e cantor cearense Siegbert Franklin, aos 54 anos, vítima de lesão cerebral causada por AVC

Siegbert Franklin foi artista visual, além de cantor e compositor (NATINHO RODRIGUES 1/7/2007)

Siegbert Franklin foi artista visual, além de cantor e compositor (NATINHO RODRIGUES 1/7/2007)

No mesmo dia que a mídia mundial estampava em letras garrafais a morte da cantora britânica Amy Winehouse, foi embora de forma mais silenciosa o artista cearense Siegbert Franklin aos 54 anos, depois de um mês e meio internado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, interior de São Paulo – ele havia se mudado para Jaboticabal (também interior de São Paulo) em abril passado. Segundo a artista e amiga próxima Paloma Perez, Siegbert teve sua saúde agravada por lesões cerebrais que resultantes de AVCs. “A gente tinha esperança que ele superasse mais esta”, contou por telefone à reportagem de O POVO.

Desenhista e artista visual, além de cantor e compositor, Siegbert integrou a geração de artistas cearenses revelados na virada dos anos 70 para 80, que desenvolveu carreira em São Paulo, a partir da década de 80 do século passado, com conexões especialmente com artistas visuais da Alemanha, com quem estabeleceu longo e profícuo trabalho de intercâmbio que resultou no trabalho do Ponto de Cultura Brasil-Alemanha, do qual participava com outros artistas e designers como Júlio Camarero, Paloma Perez, Maíra Ortiz e outros.

Sig, como era tratado pelos amigos, começou bem jovem tanto nas artes visuais quanto na música. Sua primeira participação em evento de artes plásticas foi no Salão do Crato, em 1975 – segundo seu perfil no Wikipédia – depois participou praticamente de todos os salões do calendário cearense. Como integrante da pioneira banda de rock Perfume Azul, ao lado do cantor Lúcio Ricardo e do guitarrista Ronald Carvalho, participou da Massafeira Livre, em março de 1979, arregimentados por Ednardo e Augusto Pontes. “Ele me deu muita força quando eu estava começando. Éramos muito ligados na época da Massafeira”, revelou a cantora Mona Gadelha.

“Siegbert faz parte de uma linhagem de grandes desenhistas cearenses, como o Marcus Francisco e o Batista Sena. Ricardo Resende (ex-diretor do MAC Dragão do Mar) vê o trabalho deles como precursores do Leonilson”, revela o artista visual e curador Maurício Coutinho. Integrante do Ponto de Cultura Brasil Alemanha, a artista Maíra Ortiz diz que Sig era um pintor “na sua essência”, apesar de trabalhar com várias mídias. “Acho que hoje, no século XXI, ele era um pintor como poucos… Foi uma partida muito triste”, declarou.

Paloma Perez adianta que pretende organizar uma retrospectiva da obra de Siegbert Franklin para 2012.

Foto: Arquivo pessoal Damara Bianconi (Obra da série Coinca de Siegbert Franklin)

Foto: Arquivo pessoal Damara Bianconi (Obra da série Coinca de Siegbert Franklin)

Fonte: O POVO Online

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