Daniel Melim na Choque Cultural SP

É da sujeira da cidade que vem uma das mais fortes inspirações do ex-metalúrgico e artista plástico Daniel Melim, 31, nascido em São Bernardo do Campo, onde a metalurgia é uma das principais fontes de renda. O artista está em cartaz na galeria Choque Cultural (zona oeste de São Paulo) com a mostra individual “Novos Planos”, até 27 de agosto.

O grafite entrou em sua vida por meio do skate e ainda cedo gerou fascínio. Autodidata, Melim conta que aprendeu a pintar com os amigos, com latas de spray automotivo. “Era o que estava à mão”, diz.

SHN/Divulgação
Painel feito pelo artista plástico e grafiteiro Daniel Melim na av. Prestes Maia, região da Estação da Luz, centro de São Paulo
Painel feito pelo artista plástico e grafiteiro Daniel Melim na av. Prestes Maia, região da Estação da Luz, centro de São Paulo

As primeiras influências foram os grafiteiros do fim dos anos 1990. “Não dá para negar que quem marcou minha vida foram (os grafiteiros) Tinho, Speto e Herbert. Só depois que fui para a faculdade, outros artistas me influenciaram”, afirma.

Mais velho, estudou artes plásticas em Santo André (com especialização em pintura), e pós-graduou-se em artes visuais na Faculdade Santa Marcelina. “Foi aí que percebi que o que fazia era arte.” E também quando vieram referências mais sofisticadas, como a pop arte e a publicidade dos anos 1950.

O trabalho de Melim é uma compilação meticulosa de técnicas: pintura livre, estêncil e colagem sobre um mundo de texturas e superfícies, que já vêm prontas ou são criadas pelo artista. Ele transforma a sujeira em mais sujeira e a sobrepõe com cores. A princípio ingênuo, o teor de sua obra se torna extremamente crítico logo no segundo olhar..

Em seu currículo há a exposição “Novo Muralismo Latino-Americano”, no Memorial da América Latina, a Bienal de Valência, uma turnê na França e na Inglaterra, em 2007 e 2008. Também em 2008, participou do “The Cans Festival”, coletiva promovida pelo artista britânico Banksy, dentro de um túnel em Londres. Em 2009, Melim recebeu mais 100 mil visitantes na coletiva “De Dentro para Fora”, no Masp.

NOVOS E ANTIGOS PLANOS

Atualmente, o artista pode ser visto em uma empena de prédio com 33 metros de altura, na av. Prestes Maia, região da Estação da Luz (centro de São Paulo) –segundo Melim, esse foi um dos maiores desafios de sua carreira. O trabalho foi montado em uma quadra esportiva antes de ser transferido para o prédio. “Mas desafio mesmo foi o medo de altura”.

“Novos Planos” traz trabalhos de Daniel em diversas plataformas. “Quis mostrar a versatilidade do meu trabalho, do quadro minúsculo à parede inteira, do painel à videoinstalação”. A mostra não tem esse nome à toa. Melim, além de pintor completo, trabalha painéis de metal com inusitadas técnicas de corte a frio, é criativo com o reaproveitamento da matéria-prima, tem experiência em animação em stop motion e utiliza o pequeno espaço da galeria a seu favor.

Michelle Campos/Divulgação
Obra do artista plástico Daniel Melim em exposição na mostra "Novos Planos" na galeria Choque Cultural
Obra do artista plástico Daniel Melim em exposição na mostra “Novos Planos” na galeria Choque Cultural

Seu maior orgulho, no entanto, é poder participar do “Jardim Limpão”, em São Bernardo, do qual é um dos fundadores. O projeto de nome paradoxal frente à sua obra trata-se da ocupação de um morro em sua cidade natal para pintar fachadas de casas, corredores e praças locais. A “arquitetura” do lugar, feita pelos próprios moradores, fica mais bonita com as pinturas de Melim. “Essas são minhas maiores conquistas até hoje: poder viver de arte e proporcionar isso à minha cidade”, diz Daniel Melim, emocionado.

Fonte: Guia Folha

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