Exposição Guilherme Gallegari

“Nada é permanente, a não ser a própria impermanência de todas as coisas”.

Este divino conceito universal parece habitar os trabalhos que o artista Guilherme Callegari traz à sua exposição individual na Casa do Olhar, não por outra razão intitulada IMPERMANÊNCIA.

Uma seleção de trabalhos do artista que num primeiro momento remetem o observador a um reconhecimento arquitetônico em meio a pontos de fuga e espaços caóticos, ungidos na geometria e simetria que se destacam num emaranhado de cores vibrantes e ousadas.

Sua abordagem relata elementos que perpassam, na pintura, conceitos do concretismo abstrato, Kandinsky e Jean-Michel Basquiat, e nas artes gráficas remete a grupos de colagem em lambe lambes de rua.

Ao olhar mais atento, no entanto, não faltará a confirmação de que Guilherme Callegari desponta em meio a uma nova geração de artistas, surfistas do cyberspace, onde as várias linguagens utilizadas na arte moderna e na arte contemporânea são mixadas, reelaboradas e sintetizadas em renovadas formas pictóricas, num processo continuo de apropriação e reconstrução.

Nessa exposição, telas, papelões e caixotes encontrados aleatoriamente nas ruas da cidade assumem nova função no espaço da galeria. Unidas às pinturas, colagens e grafismos, os suportes deslocam-se e transformam-se em instigantes obras de arte sem perder a autenticidade dos materiais. Nada de subterfúgios ou camuflagens, apenas a ressignificação de elementos exaltando os limites em que vivemos, entre o abismo soturno e a consciência de uma realidade vã.

Damara Bianconi

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