Encontro Coletivo de Arte do ABC

Sidney Amaral

A trajetória do artista Sydnei Amaral no mundo das artes é bastante ampla e resultou numa produção bastante significativa com conteúdo sempre crítico, seja em suas pinturas sobre tela, esculturas ou instalações.
No processo construtivo de suas obras Sidney se apropria de elementos comuns e corriqueiros do seu entorno doméstico e existencial, marcando-os com uma forte carga emocional resultante de intervenções pictóricas e interações elementares onde sua presença é uma constante, seja de forma direta nos desenhos e pinturas, ou de forma reflexiva nas superfícies espelhadas. Com isso, o artista marca presença nos dois lados da obra. Do lado de dentro como partícipe integrado no contexto e do lado de fora, como criador.
Nesta Exposição Sydnei Amaral nos traz um pouco desta sua linguagem plástica diversificada e provocante, quase uma crônica do olhar do artista para um mundo caótico e frenético.

Daniel Camatta

O artista Daniel Camata escolheu colorar seu repertório de pensamentos estéticos sobre objetos abandonados e foi nas ruas da periferia da cidade onde encontrou os elementos que dão força e originalidade ao seu trabalho.
Daniel utiliza na contextualização da sua arte suportes ainda pouco explorados, tais como tapumes, portas de madeiras velhas e ferros, detritos sólidos abandonados, elaborando um discurso bastante eloquente e criativo, que provoca a memória urbana e remete o observador ao tempo presente e passado para, finalmente, questionar o futuro.
Na obra do artista, o elemento madeira, conservando características que nos permitem distinguir forma ou utilidade no objeto original, é integrado à cor e à palavra escrita, alerta sobre possíveis esquecimentos de quem observa “Aluno tem olho perfurado em escola”.
Talvez o belo também tenha sua face perversa porque as agruras e adversidades da vida espreitam a todos a todo momento, quem dirá na construção de uma obra de arte. O elemento humano taciturno está presente entre informações e pensamentos da obra, sinalizando o legado de uma sociedade amorfa diante de um destino de incertezas.

Guilherme Petreca

Expressar sentimentos sobre o mundo de forma pictórica é uma missão intrincada e cheia de armadilhas que só consagra artistas que escolheram viver da busca da inspiração no seu entorno, do desenvolvimento de técnicas, da dedicação e da produção contínua de obras de arte. Nesta Mostra Guilherme foca povos latinos aproximando irmãos e suas tradições culturais representadas pela música, alimentação e vestimenta, aqui reproduzidas nas tonalidades das cores e nos desenhos de tradição popular e reinterpretados de forma totalmente nova e personalíssima. O elemento humano, sempre envolto por uma bruma vaga, surge como protagonista da história, coberto por infinitos mantos transmitindo-nos uma sensação de imobilidade dentro de um ambiente encantado. Entre o déjà vu e o novo e sedutor surge o questionamento sobre os elos que nos mantém atados às nossas tradições latinas, projetando novas possibilidades de futuro.

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